o mundo como deveria ser

Posições de liderança, deveriam, por definição, não ser super-remuneradas como são hoje. Ou, pelo menos, não deveria ter nenhum tipo de privilégio: carro, helicóptero, grana para alimentação, cacete a quatro. Pô, você é o que, comunista? Não. Como eu já disse antes, acho que um dos principais problemas é a motivação. Se tirarmos as motivações ruins (bom, dinheiro e privilégios não são todas, mas são uma boa parte), eu acho que a chance de pessoas melhores subirem aos cargos aumentam. É uma forma de fazer com que efetivamente os cargos de liderança sejam posições para quem quer servir, e não ser servido. Eu sei, isso destrói com toda a idéia por trás da Ilha de Caras.

Fabricação de armas deveria ser proibida em escala industrial. Por quê? Porque armas que não sejam para guerra, não precisam ser tantas assim. Qualquer fabricação em escala industrial acaba por fomentar a guerra. Seja isso intencional ou não. “Po, mas então a indústria bélica vai deixar de ser economicamente interessante!”. SIIIIIIMMMMM!!!!! That’s the spirit, babe!!!

Segredos existem por medo. Medo de estar exposto ao olhar, crítica, escrutínio, preconceitos dos outros, ou, infelizmente o que eu acho que é o mais comum, medo de que descubram que você está fazendo algo de errado. “Errado na opinião de quem?” Na sua, dumb-ass, se você mesmo não achasse que é errado, não teria tanto medo. Por mais que possa have um certo embasamento para isso, acho que no fim das contas, todos ganham por revelar os segredos mais do que por guardá-los. Ah, então você é o defensor da cagoetagem? Não. Esse “ideal” de todos não terem segredos seria um equilíbrio muito frágil: para isso dar certo, TODOS precisam fazer, para dar ERRADO, basta UM pelego começar a regular informação. E acho que estamos muito longe dessa transparência coletiva.

A bondade é frágil, como um sistema coletivo. No nível individual, ela pode ser muito poderosa e derreter o gelo dos corações mais duros. Mas no nível coletivo, às vezes as ações de uma única pessoa são suficientes para polarizar as opiniões e fazer com que as massas se esqueçam da bondade.

Todas essas coisas me levam a crer na educação. Uma vez, presenciei uma debate de duas idéias: de um lado, a noção de que deveriam “subir o morro e esterilizar todas as mulhres” (sic), e de outro a idéia de que “deveria haver uma campanha de conscientização das mulheres”. Eu acho que o que a primeira idéia tem de extremista, a segunda tem de ingênua. Não posso concordar com a primeira porque é uma intrusão a um outro ser humano, para não mencionar que poderíamos com isso punir ou evitar que nasça uma pessoa que irá fazer a diferença para o planeta. Pode-se ate argumentar que as chances são remotas, mas até onde eu sei, isso nunca deu o direito de decidir vida ou morte de humanos. Por outro lado, as pessoas de mais baixa renda, “do morro”, têm muita limitação cultural para enxergar que fazer um filho pode ser algo que irá piorar o problema social do mundo. Mais que isso, para muitas dessas pessoas, ter um filho é uma das poucas possibilidades que existem de ter alguém para ajudar a atravessar a vida sem ficar louco. Ter um filho às vezes é a única alegria que resta. É um depósito de esperança no futuro: minha vida é uma merda, mas para meu filho talvez ela possa ser melhor. As opposed to: “Minha vida é uma merda, morri, e aquilo acabou, sem nenhuma chance de melhora”. Não é nenhuma campanha de conscientização que irá mudar isso – não estou nem entrando no mérito de políticas paternalistas que dão dinheiro para gente que faz gente. A única forma possível, na minha opinião, é educar as pessoas, ensiná-las a pensar por si só, o que dificilmente é efetivo se não for feito desde cedo. Mas educar crianças até a vida adulta é custoso, em tempo e em dinheiro. E nasce muita gente, mais do que dá tempo de ensinar. Logo, tudo tende a se piorar com o aumento da população. Daí, as soluções extremistas acabam vindo, se não por direito, por fato: guerras, revoltas, tragédias, massacres. Eu acho que não tem volta, we’re doomed to fail.

Ontem à noite, conversando com o Arthur, chegamos a um ponto em que concluímos que a escassez (aquela do Adam Smith) e a diversidade têm uma simbiose estranha, e que, efetivamente, a falta de escassz levaria à falta de diversidade, e por fim, por Darwin, à extinção. Claro que a escala de tempo aqui pode ser muito fora da minha, sua, nossa realidade, mas mesmo assim, é muito estranho concluir que o egoísmo pregado pela Mão Invisível seja algo que aumenta as nossas chances de nos manter vivos perante às adversidades do universo. De onde concluímos que, se você acredita em Céu (e estou sendo agnóstico quanto à definição de Céu), ou seja, você acha que há um after-life no qual existe recompensa e castigo, então o egoísmo não vai te colocar no Céu, logo é melhor não ser egoísta, logo o objetivo não é a sobrevivência. Não, não defendemos o suicídio.

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4 respostas para o mundo como deveria ser

  1. zel disse:

    queridão, acho que o lance de posições de liderança pagarem bem tem a ver, em última instância, com o grau de responsabilidade. quando mais no topo você está, mais coisas estão sob a sua responsabilidade (grana, desenvolvimento de pessoas, resultados pra empresa, etc.), parece natural que você ganhe bem por isso🙂

    o que as empresas mais espertas estão fazendo é remunerar bem os líderes não com salário (aquele do final do mês), mas em função dos resultados que ele mostra. se o cara souber fazer a máquina andar (e não há como fazer isso direito sem sem colaborativo), ele põe grana no bolso. senão…

    e definitivamente, líderes têm que servir. um monte de gente não entende isso, mas o mundo já mudou muito, viu? acho que aos poucos a gente chega lá🙂

    sobre segredos – você já viu um doido que fala sobre sinceridade radical? acho que você ia gostar. vou procurar e te mando!

    beijão e boa semana.

  2. Russo disse:

    entao, eu estava mais pensando em cargos publicos que em empresas. já pensou que legal seria se os deputados só recebessem aquela bolada toda se NÃO fizessem merda?

    mas falemos sobre as empresas e a responsabilidade. Se o cara leva o time dele bem, e todos (ou pelo menos a maioria) está feliz, e contente, e a gestão do cara é transparente (para o time), (BIG PARENTHESIS: eu consigo imaginar um cenário em que, a empresa está passando por dificuldades que não dependem dela, por exemplo as empresas americanas agora, com problema por causa do subprime dos imóveis – fator completamente fora do controle da empresa – se o cara mostra abertamente, jogando as cartas na mesa, pra todo o time, que “ei moçada, nós todos vamos ter de apertar os cintos”, e começa dando o exemplo, então, o próprio time vai querer recompensar esse cara, depois de passada a tempestade. CLOSE PARENTHESIS). Então, sim, participação em resultados é fundamental, transparência é fundamental (putz, to começando a soar como um motivational speaker, blergh). Acho que o ponto fundamental é: não adianta pagar pela responsabilidade que o cargo exige, só pela responsabilidade que a pessoa efetivamente demonstrou. Again, isso é igual a; resultados. Um problema, n aminha opinião, é que hoje em dia, as pessoas vêem resultado como igual a $$, e eu achoque que tem mais coisas aí. Com tanto nego estudando administração e economia, é relativamente fácil obter um número bonito sem que a instituição esteja efetivamente bem de saúde (vide o Brasil, os números de $$ estão lindos nos últimos anos, mas o governo continua uma merda. Ok, ok, voltando para empresas…), daí depois de aparecer bonito na foto, nego pega o bônus ou o que quer que seja, e sai fora.

    E se a gente tivesse o bônus post-mortem? Tipo assim: “cara, você tem bônus todo ano, mas só pode sacar quando sair da empresa, e a gente pode te dar bônus negativo antes de você sair?” – se o nego fizer merda antes de sair, ele ainda perde um pouco. But who watch the watchmen? os boards das empresas vão começar a sacanear os executivos e não dar dinheiro pra eles… hmmm de novo vem à minha mente a idéia de quem deveria dar o bônus é quem está embaixo e não quem está em cima.

    Quanto mais eu penso, mais eu vejo formas pelas quais o bicho-gente vai inventar um jeito de foder com a coisa. Não adianta, acho que daqui milhares de anos vão encontrar as nossas caveirinhas todas segurando moedinhas de ouro nas um-dia-foram-mãos. *sigh*

    como diria o Raul: ei seu moço do disco voador, me leve daqui por favor

  3. zel disse:

    *HAHHAHAHAH* eu odeio raul, só pra constar (mas gosto daquela música da boca escancarada cheia de dentes etc.)

    não sei como é na maioria das empresas, vou te contar como é aqui nessa e como era na GM (que é mais $$-driven) – o resultado não é só em função de receita ou redução de custos pra liderança. se os funcionários estão putos, o nego não recebe o bônus😀 é um sistema de bônus balanceado, que obriga a galera a perceber que tem coisas além da receita pura e simples. aqui, o bônus é calculado e concedido num sistema de avaliação 360 de verdade. se você tá bonito na foto com seu chefe mas não está com seus funcionários, se ferrou.

    agora o poder público eu concordo 100% – acho que os caras não deviam nem ter salário. devia ser ajuda de custo, tipo milico. o cara tinha que ser político pelo bem da nação🙂

  4. zel disse:

    queridão, a gente não vai se encontrar essa semana… fomos ontem no treino e vamos amanhã de novo (o fer tá em SP na terça e quinta).

    no feriado tamos aí, viu? se estiver à toa e quiser pegar uma piscina ou tomar uma cerveja, liga pra nós😀

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