o mundo insano da pressa e a sobrevivência

Desde que aprendi a dirigir, pegando o carro escondido quando eu tinha 17 anos de idade, eu sempre adorei dirigir. Eu gosto de percorrer estradas. De descobrir (mesmo que eu já saiba) o que há depois da próxima cruva. De desfrutar da próxima curva, e da próxima reta, e da paisagem, e das paradas. Eu gosto de viajar.

Tem um música do Rush, Dreamline, com a qual eu me identifico muito:

They travel in the time of the prophets
on a desert highway straight to the heart of the sun
like lovers and heroes and the restless part of everyone.
We’re only at home when we’re on the run, on the run.

No entanto, de um tempo para cá, eu tenho detestado dirigir em estradas. Daí passei 2 meses nos EUA, e eu não detestei dirigir lá. Isso me fez prestar mais atenção, e não foi difícil de descobrir o porquê. Dirigir na estrada, aqui no Brasil, é como entrar numa arena. É uma contínua situação de tensão e agressividade. Se no Brasil o comércio de armas de fogo fosse liberado como nos EUA, acho que já teríamos atingido o nível do Mad Max.

Vivemos numa cultura da pressa: pressa em andar, pressa em consumir, pressa em sair, pressa em entrar, pressa em passar. Pagamos para ter mais pressa: o Sem Parar é mais caro. O fato de que a operação do Sem Parar é mais barata não importa, o mercado deseja o “privilégio” de ser mais apressado, então o mercado paga por isso.

Sempre que pego a estrada, alguém cola no para-choque traseiro e fica grudado ali. Algumas pessoas defendem que se alguém vier em alta velocidadeatrás de você, você deve dar passagem. Eu sou da teoria que se a lei diz que é para dar passagem, a lei também diz que a velocidade máxima é 70 e não 150, e talvez não a lei, mas todo e qualquer treinamento de direção, diz que é para manter distância segura do automóvel da frente,  não forçar a ultrapassagem, não assediar os outros motoristas, etc.

Vejam, eu sou a favor da cortesia no trânsito, sim. Mas existe um limite depois do qual, você não consegue mais sorrir ao tomar pancada. Esses motoristas que colam na traseira do carro da frente, a 120 km/h )porque eles queriam passar a 160), estão agredindo a pessoa que está à sua frente. Aquilo é um assédio, é agressivo, é perigoso, é insano. Se um cachorro cruzar a pista na minha frente e eu tiver que freiar, o idiota atrás nunca vai ter o tempo necessário para reagir e freiar também.

Se estiver na velocidade máxima da pista, na faixa da esquerda, e vier um imbecil a 160 piscando farol, eu acho que não devemos ceder à essa agressão. Mantenha a calma, e dirija normalmente.

Se a pessoa estiver realmente com pressa, ela irá ultrapassar você por qualquer faixa que estiver disponível. Afinal de contas, se é macho o bastante para andar a 160 (ou qualuqer velocidade muito acima do permitido), tem de ser macho para passar pela direita também. Ah, só que o ego não permite, não é mesmo? O ego desses caras exige que você saia da frente dele, e ceda o espaço para Sua Majestade. Pois bem, eu cansei de ser conivente com isso. Já que a estrada está se tornando cidade-sem-lei, onde não há punição para esse tipo de agressão gratuita, e onde qualquer um pode fazer o que quiser (desde que o radar não pegue), então eu vou fazer o que eu quiser também: vou ficar na faixa da esquerda.

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2 respostas para o mundo insano da pressa e a sobrevivência

  1. andre disse:

    Então
    Concordo com a maioria dos seus pensamentos ao respeito da pressa, mas de não deixar o chato ultrapassar é a coisa errada de fazer, porque isso provoca mais manobras perigosas que podem causar acidentes e involver inocentes.
    Não adianta “educar” este pessoal – o cara não vão correr menos porque o fechou, não vai aprender nada, vai ficar ainda mais agressivo.
    Na alemanha (minha terra) está prohibido ultrapassar na direita, justamente porque o pessoal dirige com altas velocidades – lá, se você está andando com 180 na faixa esquerda, com certeza vai chegar alguem de 220 querendo passar – mas o povo dar preferência ao mais veloz – o que custa? quando estiver espaço numa outra faixa nem deve ocupar a de esquerda, deve sempre andar na mais direita possível, assim você evite irritar vc mesmo ou os outros.
    Nos EUA viajar nas estradas beira a ser chato – bota o “cruise control” e vai com 80 egual todos os outros… tipo trem… pode até trocar uma ideía com o pessoal no carro que está ultrapassando porque demora 10-15 minutos (rs) – mas tente andar com 2 ou3 milhas abaixo do limite de velocidade – vai ter caminhões te ultrapassando buzinando e te cortando com uma agressividade impressionante!
    Concordo que a fiscalização aqui deixa muito a desejar, na alemanha funciona bem, se não deixa a distância de segurança para o carro na frente e eles pegam (e pegam mesmo!) a sua carteira já era!
    Vamos esperar que a situação das estradas melhore e que morrem menos gente em acidentes de trânsito no futuro, mas lembre-se que a melhor coisa para fazer é de não leva ultrapassagens ao lado pessoal e não insiste – dirige defensivo!
    André

  2. russoz disse:

    Olá André,

    No fim de semana viajei de São Paulo a Brasília, de carro. Lembrei-me do seu comentário no meio da Anhanguera.

    Por um lado, é verdade, é arriscado não dar passagem a esses imbecis. Por outro lado, a gente vive num país onde não existe polícia, lei, responsabilidade, valores. Basicamente aqui tá todo mundo cuidando do “seu”, e f***-se o resto. Cada ano que passa eu vejo os motoristas ficarem mais abusados – claro, a geração nova que cresce sem limites, sem regras, sem que se ensine a respeitar as pessoas, vai tirando habilitação e esticando os limites (da agressão) um pouco mais – e não há perspectiva de melhoria.

    Assim, eu olho para essa situação e me pergunto se eu devo ficar encolhido no canto, cedendo à agressão vez após vez. Até o dia em que as manobras perigosas vão acontecer até mesmo com quem está na faixa da esquerda? Até o dia em que as rodovias virarem cenário do Mad Max? Eu vou ter que andar com uma .12 engatilhada no carro?

    Eu *sei* que o melhor caminho é o da não-violência, mas eu acho que fazer nada é omissão.

    Honestamente, não sei o que fazer.

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