st. peterburg, 20 de junho de 2007

No domingo eu comi borsch, que é uma sopa russa típica (minha mãe fazia, e aquela senhora russa que morava na casa em São Paulo, a Dona Lida, fazia também). Fui à casa do Prof. Maschovets e sua esposa Tanya (diminutivo de Tatiana), que é um dos amigos do meu pai aqui em St. Petersburg. Nós passeamos – esta cidade é muito bonita! Em cada canto que você olha, tem um monumento, ou uma ponte, ou uma igreja.. às vezes, ao passar perto do rio, vê-se navios. Na 6a.feira que vem, dia 22, vamos assistir a um concerto de música sacra na catedral belíssima de São Isaac (pelo menos por fora é deslumbrante, por dentro deve ser breathtaking).

Dormimos dois dias na dacha do Prof. Mashovets, que é uma casa de campo, que fica a pouco menos de 80 km ao Sul da cidade. É comum as pessoas terem uma dacha por aqui, pois além de ser uma tradição da sociedade russa, na época do comunismo elas eram dadas ou vendidas a preços simbólicos, então praticamente todo mundo tem uma dacha. Lá é tudo bem rústico, a casa é de madeira mesmo, o banheiro é literalmente a casinha lá fora – não existe água quente na dacha, lá a água é do poço, e é super-hiper-gelada!! Na 2a.feira o Prof. acendeu a “petchka” que é uma espécie de fogão/aquecedor a lenha, no qual a saída do ar quente/fumaça é encanado para uma serpentina que fica embutida em uma parede, antes de ir para a chaminé. Após uma hora ou mais de acender a petchka, a parede fica quente, e não importa qual a temperatura lá fora, dentro de casa fica gostoso. Essa parede pertence a dois quartos, que foi onde dormimos.

Ontem de manhã conhecemos um museu, que fica no antigo terceiro posto de troca de cavalos depois de St. Peterburg – mas o que é realmente interessante, é que é um museu feito para um conto de Pushkin – vou ter de começar a ler Pushkin, não há dúvidas a respeito disso. Quando foi inagurado, era o terceiro museu do mundo feito para personagens de histórias: depois do Sherlock Holmes e um outro que já esqueci. Lá tinha um gato bem peludo, bonito, o Barsky, muito amigável, eu também tirei umas fotos com ele. Os russos gostam muito de gatos. Gatos e livros.🙂 Depois fomos a um casarão antigo, também transformado em museu: era a residência dos tios do Nabokov, o da Lolita. A casa é inteira de madeira, inclusive as colunas gregas na frente (eu nunca tinha visto colunas gregas… de madeira!!), assim como quase todas as casas antigas na região. A casa onde morava o Nabokov não existe mais, ela foi destruída em um incêndio. Voltamos caminhando para a dacha, mais ou menos uns 3 km de distância: campos floridos ao vento, com enormes árvores a alguma distância, parecia que, de repente, eu estava no Dr. Jivago. Depois cruzamos um pedaço da floresta, e a trilha por fim desembocou em uma ponte em cima de um rio calmo, límpido, uma cena digna de uma pintura de Van Gogh.

Hoje fomos à igreja local, onde houve uma missa em homenagem aos clérigos mortos em 1937, provavelmente pelo Stalin. O coro da igreja era composto de apenas 4 mulheres, uma delas com uma criança no colo, e foi o coro de igreja russa mais lindo que já ouvi até hoje. Não fiquei o tempo todo lá dentro, pois as igrejas, principalmente as russas são aos meus olhos muito depressivas. Fiquei do lado de fora, sentindo o sol e o vento. Aqui venta muito🙂 o vento vem do Norte, e como não há barreiras naturais, ele desce rasgando do Ártico por centenas, senão milhares, de quilômetros terra adentro. Depois passamos rapidamente por um parque (perto da casa/museu dos Nabokov que visitamos ontem), na verdade era apenas uma alameda balizada por árvores centenárias.. apenas carvalhos, plátanos e tílias de dezenas de metros de altura, que estão naquele lugar desde antes da existência dos aviões, desde antes da Revolução Russa, desde a época do Czar.

Estou escrevendo agora, às 11 horas da noite: o céu ainda está completamente azul lá fora. Ontem à noite, na dacha, ficamos jogando conversa fora e bebendo a vodkinha até 1 da manhã – e não escurece. No meio da madrugada acordei sonhando com água, muita muita água, então fui lá fora visitar a casinha, e o céu, apesar de mais escuro, não estava negro, apenas daquela coloração difusa na fronteira entre o dia e a noite. Ah!! Hoje tivemos uma visita na dacha de manhã: a Xunya, uma gata completamente preta, que é de algum vizinho deles. Ela deixou eu fazer um chamego nela, mas não muito: mais arisca, ela não parava quieta. Logo saiu correndo e foi caçar uma borboleta ou um passarinho.

Estou aprendendo um pouco de russo. Por enquanto não tive muito apoio, estou me virando sozinho – eu e um “guia de conversação Russo-Português” que contém vários erros óbvios.

O congresso do meu pai começa semana que vem, quando então o nosso primo Yura e a mulher dele Natasha chegarão aqui em St. Peterburg, ou seja, ficamos duas semanas aqui, depois tem a viagem de barco pelo Rio Volga, daí uns poucos dias em Moscou, e depois, no dia 07 de Julho, eu embarco de volta para o Brasil. Meus pais vão ficar ainda mais uma semana, na qual eu creio que eles irão para Krasnodar, no sul, onde mora o Yura.

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