saber perguntar

Eu semprei tentei ajudar os outros. Existem várias formas de se fazer isso, mas a forma que eu sei fazer melhor, é tentar cutucar a mente das pessoas para que elas mesmas consigam ver e achar suas próprias respostas. O jeito mais simples, e efetivo, de que disponho para fazer isso, é perguntar: por quê?

Certa vez, alguns anos atrás, eu tinha uma namorada e, como de costume, eu perguntava os porquês. Um dia, ela disse que gostava de algo (não lembro o que era, e para esta divagação isso não importa), e eu perguntei: por quê? Ela ficou possessa. Que era um absurdo eu questionar os gostos dela, que eu não tinha direito, e mais um monte de cobras e lagartos dos quais já esqueci as formas e as cores. Mas, eu me pergunto (pra variar), por que é tão ruim isso? Digo, por que seria? Para mim é extremamente natural que me perguntem porque gosto de azul, ou porque gosto de barcos a vela, ou qualquer outra coisa que eu goste. Na pior das hipóteses, a minha resposta é: “gosto, e não sei o porquê”. Eu imagino se ela pensou que: eu achei ruim ela gostar de x (onde x é igual a aquela coisa que esqueci). Ou se ela foi além, e não somente achou que eu desaprovava o gosto dela, como já queria alterá-lo.

Isso é um exemplo de um problema que sempre tive ao conversar com os humanos: os escudos. As idéias pré-concebidas, as reações pré-armazenadas. Veja, o mundo em que vivemos é um mundo cão. É comum que as pessoas, as coisas, as propagandas, a TV, as escolas, os chefes, enfim alguém, esteja sempre tentando empurrar uma “verdade” na sua goela abaixo. É normal criarmos defesas para isso. Rejeitamos vários lixos enlatados (ou não, mas isso é uma outra discussão). Depois de algum tempo, se do outro lado falam que é da Telefonica, você já nem pára mais para ouvir o que têm a dizer: já manda enfiar no meio do rabo da mãe deles e etc… Sim, tudo isso é normal (eu obviamente acho extremamente normal – e saudável – mandar a Telefonica tomar no cú, diga-se de passagem). Mas o exagero na defesa, leva à intolerância. É uma porta que se fecha, é um pouco mais de solidão em nossas vidas.

Por outro lado, se eu tivesse perguntado de outro jeito, com mais salamaleques, mais frescuras e perfumarias (hmmm, o nome disso tudo é diplomacia), talvez eu obtivesse mais sucesso. Ser direto perturba a ordem natural das coisas – para algumas pessoas, pelo menos.

E por outro lado ainda, mesmo com as pessoas que não têm uma reação tão agressiva quanto a da referida moça, algo é quase uma constante nas minhas observações: ninguém pergunta o porquê das coisas até o fundo. As pessoas sempre esbarram num ponto em que dizem algo como “ah, eu sou assim”, ou “Deus quis assim”, ou “a vida é assim” e não buscam mais os motivos. Na minha opinião, o que elas estão deixando de lado, não são motivos-teóricos-abstratos-inúteis, mas sim, o auto-conhecimento. Conhecer a si mesmo é uma das coisas mais importantes que existe nessa curta jornada chamada Vida. Enfim, é preciso saber perguntar, a si mesmo em primeiro lugar, e aos outros à sua volta.

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2 respostas para saber perguntar

  1. champs disse:

    Você vai adorar conhecer mais a fundo os holandeses, Alexei. Eles adoram perguntar “por quê”? E nunca se ofendem com nenhuma pergunta que você possa fazer. E olha que eles fazem cada uma…

  2. Pingback: saber ouvir « russoz

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