carros, trânsito

Já há algum tempo que eu queria contar como é andar de carro aqui.

Resumidamente, eles têm o mesmo conjunto básico de regras, mas algumas coisas são diferentes, e para andar aqui com tranquilidade, tudo o que se precisa fazer é se acostumar com essas diferenças.

Primeiro, os carros aqui são quase todos com câmbio automático: freio e acelerador. Não tem embreagem. Uma vez, há muito tempo atrás, eu estava perto de alguém que reclamava que os motoristas brasileiros demoravam muito para começar a andar, depois que o farol ficou verde, ao contrário dos americanos, que saíam imediatamente. É óbvio! Os americanos só tiram o pé do freio – mesmo se for uma subida o carro não desce de ré – e apertam o acelerador. Se eles tivessem de usar a embreagem, pode apostar que eles iam levar 10 minutos para sair do farol. Tem um monte de velhinhas dirigindo aqui, já pensou uma delas no farol, na subida?

As velocidades máximas permitidas nas ruas e estradas são muito semelhantes ao Brasil, exceto que a máxima que vi em estradas foi de 65 mph, o que é menos que a Bandeirantes ou a Ayrton Senna, por exemplo. A I-40, que é meu caminho do hotel para a IBM, é 65 mph. Mas todo mundo anda a 75, 80 mph. Que nem no Brasil.

Uma coisa que não se vê por aqui, no entanto, são aqueles caras que colam na traseira a 120 por hora, piscando farol e dando seta. Como um bom paulista, eu fico sempre atento ao carro que vem atrás, porque em SP tem os idiotas nervosos piscantes. É quase impossível andar em uma estrada por lá sem ser encontrado por um deles. Aqui, os carros andam atrás de você sem stress. Se eles querem passar, eles se viram para passar. Se não querem, ou não têm como, eles ficam lá, sem importunar. Claro que existe exceções: uma vez eu vi um sujeito, com cara de chicano, numa banheira velha – tipo um “Dójão” – zigue-zagueando e correndo feito louco na estrada.

Dados esses “limites” da pressa, os caminhoneiros aqui também botam pressão, se você estiver andando mais devagar, os caras colam na traseira do mesmo jeito, até ficarem de saco cheio e te ultrapassarem. Também se vê aqui playboys – só que os daqui andam de Ferrari, Corvette, Porsche e outras máquinas “quentes” – e eles não abusam o tempo inteiro, só de vez em quando.

Algumas regras são diferentes. Por exemplo, em qualquer cruzamento ou junção, mesmo que haja um semáforo e esteja Yield on Green vermelho para a sua pista, você pode entrar à direita se não vier ninguém da esquerda. Já para entrar à esquerda, se for uma estrada menor e não vier ninguém dos dois lados, vai com fé. Mas se for um cruzamento mais movimentado, você pode ter a placa “Turn Left – Yield on green”, que significa que você cruza para a esquerda dando preferência para tráfego que vem no outro sentido ou pedestres. Ao contrário de São Paulo, onde para cruzar à esquerda, o costume é você contornar um quarteirão à direita, aqui praticamente todos os cruzamentos permitem que você cruze a pista diretamente no meio dela. Para isso, quase sempre há uma faixa adicional no meio da pista, para comportar a conversão. Depois que se acostuma com a idéia, é tranquilo.

I-40 East, West Por outro lado, às vezes acontece a seguinte situação: voce vai cruzar um viaduto por cima da rodovia, e você quer pegar a rodovia em sentido à esquerda. A rampa de acesso à rodovia pode ser num cruzamento à esquerda, ou pode numa alça à direita. Para esse tipo de situação, você tem de prestar atenção a umas placas não muito grandes, ou às vezes confusas, de Junction (Junção) e para qual lado você deve ir.

É muito comum ter uma faixa à esquerda que irá cruzar, ou uma à direita que ira sair, e para essas faixas, eles colocam placas informando que, quem estiver nela deverá virar para o lado indicado, ou seja, não é permitido você pegar essa faixa à esquerda para cruzar e depois seguir em frente, você tem de cruzar à esquerda. E isso é seguido à risca por aqui, acho que só vi o pessoal engambelar essa regra uma vez ou duas. Tomar as decisões com antecedência é importante, mesmo que você não tenha certeza do caminho a seguir.

Uma outra coisa diferente aqui, é o uso dos pontos cardeais. Não adianta você saber que quer pegar a I-40, você tem de saber pra qual lado você vai: East ou West (veja a foto acima). Em algumas placas eles escrevem o que vem pela frente – aqui na região estou entre Raleigh e Durham, então é comum as placas indicarem uma cidade ou outra, mas isso não é regra. Você pode sempre contar com o Norte, Sul, Leste, Oeste. O importante é saber, cada vez que irá mudar de estrada, qual o sentido que irá pegar, porque quase sempre você terá duas placas assim: I-40 West e I-40 East. Ou então, I-95 North e I-95-South. E mais nada. Se você não sabe onde quer ir, fica difícil.

E, por fim (até onde me lembro agora), outro truque sujo que acontece muito aqui, é quando duas (ou mais estradas) se juntam, então uma estrada fica com várias numerações. Até aí é fácil, o que é um saco é depois quando elas se separam de novo, você saber em qual delas você tem de ficar.

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