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Eu não tinha ouvido falar dele antes. Mas eu vi no Slashdot a notícia da sua morte, e algo sobre essa tal “Last Lecture”. E fui assistir. Simplesmente, sensacional:

Estou tirando um pouco o atraso dos meus neurônios – eles ficaram renegados por algum tempo, por motivos pessoais que não vêm ao caso – e, para tal, uma das coisas que estou fazendo é ler o histórico de colunas publicadas pelo excelente Hélio Schwartsman, da Folha. Eu travei contato com os textos dele ao ler o feed RSS da Folha denominado “Pensata”, mas estou considerando fortemente parar de acompanhar tal feed, pois apesar de pérolas filosóficas como a coluna do Hélio, ele também fornece textos muito detalhados sobre futebol e alguns outros colunistas de menor brilho (na minha humilde opinião).

Lendo as colunas antigas, me deparei em particular com uma, na qual há um comentário que condiz muito com um conhecimento tácito que eu tinha da dialética:

Se há algo que vem faltando ao debate público brasileiro é o princípio da caridade. Não, nada a ver com distribuir esmolas ou bolsas-família por aí. O princípio da caridade, descrito pelo grande filósofo analítico norte-americano Willard van Orman Quine, é a regrinha heurística segundo a qual, no curso de uma disputa intelectual, devemos conceder às declarações analisadas, principalmente às que vêm de nossos oponentes, a mais generosa interpretação possível. Isso significa que devemos tratá-las em princípio como racionais e bem-intencionadas. Só poderemos considerá-las falaciosas quando não houver outra leitura possível. Mais do que isso, se o raciocínio apresenta uma ou outra impropriedade lingüística ou relativa a fatos de apoio, devemos reconstruir o argumento do adversário tornando-o mais claro e livrando-o de erros laterais.

Que, dito de forma mais sucinta, ajuda a evidenciar uma verdade extremamente básica da existência humana: sabemos muito pouco. Sócrates já nos brindava com esse insight ao dizer “Só sei que nada sei”. Claro, adquirimos conhecimentos ao longo da vida, mas é preciso ter muito critério e pouco apego a esses conhecimentos: todos foram filtrados através dos nossos sentidos, das nossas emoções, e das nossas imperfeições. E mais, todas as informações podem ter (e geralmente têm) impresso no fundo de suas latas, um prazo de validade.

Eu nunca tinha olhado para esse gesto, o de conceder sempre o benefício da dúvida, como um ato de caridade. Mas eu acho que é uma colocação muito adequada, e eu pretendo seguir usando essa descrição.

Meu irmão me trouxe um presente, o livro Fooled by Randomness, de Nassim Nicholas Taleb. Até agora, só li o prólogo, e já estou achando o livro excelente. :-)

Mais informações no decorrer do período.

O autor tem também um outro livro chamado Black Swan, que já estava na minha wishlist, por alguma referência que eu não recordo mais qual era.