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E depois de ter escrito o e-mail referido no post anterior, eu fiquei pensando: “Se starboard vem de steering-board, por que diabos o lado direito seria o lado de steering (dirigir, pilotar)?”

A resposta, ou a mais precisamente a intuição para uma resposta extremamente plausível, mas que não confirmei com nenhum estudo, me veio através do(s) livro(s) que estava lendo: The Saxon Stories, de Bernard Cornwell.

O Cornwell escreve vários romances históricos, usando como pano de fundo algum momento histórico, os quais ele parece pesquisar em grande profundidade, e constrói histórias ficcionais, mas providas de caráter muito realista em relação aos respectivos conextos históricos.

No caso das Stories, faz um retrato muito detalhado das invasões Vikings na ilha que um dia viria a ser chamada Inglaterra. A despeito do que está escrito na Wikipedia, nos livros do Cornwell é dito que viking, originalmente, não é um povo, mas sim um ato. O ato de desembarcar, saquear, pilhar, queimar, estuprar e capturar (escravos), e ir embora. Os povos que ficaram conhecidos por essa denominação do ato são Dinamarqueses (Danes), Noruegueses e Suecos. Eu tendo a acreditar mais no Cornwell que na Wikipedia, but YMMV. Recomendo fortemente a leitura dos livros, de preferência em Inglês. Já há traduções, mas o título do segundo livro, de The Pale Horseman, foi transformado em “O Cavaleiro da Morte” – a intenção foi boa, mas o resultado não.

Ao longo dos livros há vários episódios que ocorrem em navios, e os relatos sempre descrevem o steering board, onde ficava o steering oar, que poderia ser traduzido aqui como “Pá de Pilotagem”, mas que usarei leme (rudder) para simplificar.

Faz sentido que os lemes tenham sido, em um primeiro momento, estruturas laterais às embarcações. Lemes como estruturas montadas no centro da popa (traseira) do barco, pendurados, provavelmente apareceram mais tarde na História, pelo simples motivo de que o leme na lateral é mais fácil de se fazer.

Agora, dados os dois lados, por que um e não outro? Qualquer um que já tenha velejado, ainda que pouco, sabe que num dia de vento mais forte acaba-se fazendo bastante força no leme – para corrigir o curso e também para compensar o movimento das ondas. Como a maioria das pessoas é destra, faz todo o sentido que o leme fique do lado que tem o braço mais forte, ou seja o lado direito.

Logo, como do lado direito havia o leme, faz todo o sentido que, ao atracar num porto, os navegantes encostassem o lado esquerdo no cais – para não restringir o uso do leme (do lado direito). Assim, o lado voltado para o cais era o lado usado para carregar e descarregar mercadorias. O lado do porto, ou port.

Faz sentido, e é plausível. Não quer dizer que seja verdade ;-)

Bom, escrevi o post anterior para falar um pouco do meu interesse em Etimologia, para justamente emendar neste. Outro dia eu estava curioso com a origem dos termos náuticos, em inglês, startboard e port, que na nossa terminologia naval correspondem, respectivamente, a boreste e bombordo.

(aviso: post longo)

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Sempre fui curioso, quis entender como funciona e de onde vem. E assim é com as palavras, e o nome disse é etimologia. Em outras coisas, tenho uma certa compulsão por dicionários, não só etimológicos, mas também os “normais”e os de outras línguas. Enfim, todos. Para mim eles têm uma certa magia: eles possuem, em suas incontáveis páginas, as chaves para novos conhecimentos.

Há algum tempo atrás comprei um Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de autoria de Antônio Geraldo da Cunha, editado pela Nova Fronteira. Mas fiquei decepcionado: esse dicionário, na maior parte das vezes, apenas lista as datas dos termos de origem, trazendo muito pouca informação histórica sobre os mesmos. Curiosamente, ele não consta mais nem no site da própria editora (pelo menos em uma busca simples por “dicionários”), e nem no site da Livraria Cultura – onde eu comprei o meu exemplar.

Decidi então buscar por dicionários lusitanos, na esperança de ter obras de maior profundidade. Fiz uma pesquisa na net e, aparentemente, o grande papa do assunto lá na “terrinha” é um tal de José Pedro Machado, e a obra dele que me causa mais compulsão é, naturalmente, o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, primeiramente publicado em 1952, mas que sofreu várias revisões e ampliações ao longo dos anos, sendo que consta na Cultura a 8a. edição, de 2003, dois anos antes do falecimento do autor.