– Shakespeare
Let me not to the marriage of true minds
Admit impediments. Love is not love
Which alters when it alteration finds,
Or bends with the remover to remove.
O no! it is an ever-fixed mark
That looks on tempests and is never shaken;
It is the star to every wandering bark,
Whose worth’s unknown, although his height be taken.
Love’s not Time’s fool, though rosy lips and cheeks
Within his bending sickle’s compass come:
Love alters not with his brief hours and weeks,
But bears it out even to the edge of doom.
If this be error and upon me proved,
I never writ, nor no man ever loved.
116
Ao casamento de almas verdadeiras
Não haja oposição. Não é amor
O que muda à mudança mais ligeira
Ou, desertando, cede ao desertor.
Oh, não, que amor é marca muito firme
E nem a tempestade o desbarata;
É estrela para a nau, que o rumo afirme,
Valor ignoto — mas na altura, exata.
Não é do Tempo mera extravagância,
Amor, embora a foice roube o riso
‘A face e ao lábio rosa; na constância,
Resiste até o Dia do Juízo.
Se há erro nisto e assim me for provado,
Nunca escrevi, ninguém terá amado.
(tradução de Jorge Wanderley — não o culpo, foi o que deu para fazer)



2 Comentários
Segue a minha tradução, que está mais correta:
“Que à união de almas, sincera,
não admita eu impedimento. Não é amor o amor
se, quando empecilhos encontra, se altera,
Ou se curva ao mínimo temor.
Oh, não! É o amor marco eterno, dominante
Que encara a tempestade com bravura
Estrela-guia de toda vela errante
Cujo valor se ignora em altura
Não é o amor joguete do tempo, embora
Sua foice não poupe a mocidade
O amor não se transforma de hora em hora
Antes se afirma para a eternidade
Se for isso falso e o engano, a mim provado
Então nunca terei eu escrito, nem jamais homem nenhum, amado”
Cara Lúcia,
Obrigado pela sua contribuição. De fato a sua tradução é mais fiel ao original. Em defesa do autor que eu transcrevi (e de quem tenho o livro), ele tentou manter a métrica também, o que realmente torna tudo bem mais difícil.